Textos sobre a vivência do SYS V
SwáSthya Yôga Sádhana V Teve lugar nos dias 16, 17 e 18 de Novembro de 2007
Mais um encontro anual de SwáSthya Yôga organizado pelo nosso tão querido João Camacho, Yôgachárya. Realizado no Hotel Ibis em Évora, o SwáSthya Yôga Sádhana V foi um verdadeiro Sat Sanga, onde reinou a boa disposição e a vontade de autosuperação. Três dias repletos de práticas intensas e a abordagem de temas no mínimo interessantes, úteis e sempre interligados. Tudo no Yôga se correlaciona. Nada é mero acaso. Como não podia também deixar de ser, João Camacho providencia a cada ano uma ementa mais deliciosa, ementa essa que o "chef", fazendo jus ao seu nome, vai-nos também surpreendendo com a sua arte apresentando-nos verdadeiras iguarias. Daquelas que até a alma aquecem. Fica o impulso para um ano que se prevê ser em grande, e a vontade para que chegue rápido o próximo SwáSthya Yôga Sádhana.
Anabela Silva
Discípula de João Camacho, Yôgachárya
Expressões do meu ser
SwáSthya Yôga Sádhana -V Edição Fim-de-semana de Yôga Hotel Íbis – Évora 16,17 e 18 de Novembro de 2007
Finalmente chegou o tão esperado dia. Acabo de deixar a minha “mais que tudo” na escola e estou a pensar no que tenho de organizar para o grande evento. Não posso esquecer-me de nada. Com tantos afazeres e mesmo assim parece que o tempo não anda, parece que nunca mais chega a hora combinada… Carro carregado, faço-me à estrada na minha alucinante viagem a 120km/hora. Após algum tempo de caminho, o sentimento de que nunca mais chego volta a instalar-se, até que uma placa de trânsito volta a iluminar o meu sorriso: faltam 45 km até Évora. “Boa”, penso eu, “já falta pouco”. … Tão longos estes 45 km… Chego ao Hotel Íbis, em Évora. Descarrego e monto o nosso Ashram. Senti orgulho por estar a fazê-lo, senti-me bem. Apronto o invólucro que envolve a minha pessoa, a minha essência, e espero por todos. Espero com uma rosa na mão, as “flores” que hão-de chegar. E aos poucos e poucos, o “canteiro” vai-se compondo até ficar completo. Reunimo-nos para jantar, sempre com muito gosto e requinte com que somos presenteados com as refeições vegetarianas maravilhosas, e na hora marcada iniciamos o tão desejado fim-de-semana. Tive o prazer de ser convidada a apresentar a minha coreografia e fi-lo com bháva, intenso, de mim para todos vós. A energia começou logo a ser gerada e foi aumentando ao longo da noite com mantra, no dia seguinte com as práticas, e no Domingo a nossa resistência psico-física era bem maior. O cansaço não se sentia, pelo contrário, o prazer de estar convosco, de poder aprender mais e mais, era superior a tudo. Os temas deste ano foram muito bons. A sensação que tive foi quase de: Vamos lá vasculhar o que se passa aí dentro, fazê-lo saltar cá para fora e arrumá-lo de uma vez na prateleira certa. Agora que têm as ferramentas, façam-no sempre que for necessário. … Tomar consciência do corpo, mas suas várias formas… As práticas às 04h00 a.m. são muito boas, a percepção é outra, vale a pena não dormir para vivênciar mais um ensinamento. Nem o frio da noite nos demoveu de fazermos uma pequena prática sobre a pedra gelada, num espacinho ao ar livre, logo junto ao Ashram, mesmo à nossa medida. Gerou-se fogo nestes dias, Shaktí esteve presente. Éramos 13 flores prontas a despertar, e despertámos. Despertámos de tal forma que o nosso perfume inundou o Hotel e arredores, desabrochámos tanto que conseguimos tocar o céu. Ainda agora terminou e já sinto saudades de tudo e de todos. Quem dá a oportunidade a si mesmo de experimentar, sabe ao que me refiro. Mas quem não dá é a mesma coisa que eu dizer que melaço é muito bom, mas vocês não saberem ao que sabe, ainda não terem degustado o seu paladar… Como é que ficam: iguais, não são?! Então experimentem a ficarem diferentes. Venham, participem. Estou certa que não sereis os mesmos quando regressarem, nem melhores nem piores… apenas diferentes! E a magia deste encontro, do SYS, é essa mesma: estamos a crescer, a desabrochar, a ter a coragem de sermos diferentes.
SwáSthya
Tânia Loureiro
P.S.- é bom cear às 02h00 a.m.
Vivência do SYS V
A minha vivência de mais um maravilhoso SYS passa por perceber que uma árvore vai crescendo sem dar por isso. Quando passado algum tempo olha à sua volta, pode ver que já tem um tronco, tem ramos, folhas e frutos, desta e daquela côr, deste e daquele formato. E à sua volta vê outras árvores e vê a floresta que cresceu. Vê árvores que não cresceram, vê novas árvores a nascer, não vê árvores que antes via, percebe que por essas nada pode fazer. Todas essas árvores têm as mesmas fontes de vida disponíveis, o sol, a terra, a água e o ar, e as raízes que todas podem enterrar no chão, mas umas crescem, outras não, assim é a natureza linda e maravilhosa, conhecedora, infalível, regulada por regras incontornáveis. Mas o processo é lento, silêncioso, metabolizado. Quando chega a altura própria, então a árvore toma consciência que já não é um arbusto armado em árvore, mas que cresceu, que no silêncio, cresceu. Mas tem capacidade de ver que ainda não é grande coisa, tem humildade de reconhecer e perceber isso. Reconhece que pode tão só estar a julgar que cresceu. Mas é tão bom estar rodeado de outras árvores. E como é intenso e bom ver essas árvores crescer. E como estão perfumadas essas árvores. Começa a tomar consciência de que as folhas também vão cair, que os frutos ficam maduros, começa a perceber que ocorrem de facto mudanças. Percebe que tem uma força de energia inesgotável e que essa força vem da sua base, das raízes que a seguram e ajudam a manter em pé e que a alimentam. Percebe que existe um sol que também a energiza. E essa árvore cresceu. E percebe também que ainda muito tem que crescer. Uma árvore vai crescendo sem dar por isso. Estou diferente, e tenho consciência disso. Ainda agora começou. Estou muito feliz, e tenho consciência disso. Gosto muito de vocês, e emociono-me com isso. É um processo individual, não tenho dúvidas disso. A egrégora multiplica a energia, como é bom ver isso. A árvore cresce com a floresta, e viceversa.
Beijos para todos e até ao SYS VI!
Júlio
Texto sobre a vivência do SYS V
O acolhimento no SYS V foi muito carinhoso, notando-se um ambiente de esmero e organização. Ao entrar no Ashram tinha consciência que entrava num outro mundo, um mundo acolhedor, reconfortante com algo de refúgio como se entrasse numa gruta feita de meia-luz, sons abafados, habitada por seres cuja natureza implosiva nesta estação do ano reclamava recolhimento para moldar, polir aqui e ali e forjar novos seres, ao mesmo tempo que sentia uma grande responsabilidade em estar apta a captar o conhecimento que ia ser transmitido, apta ao privilégio de receber sabedoria preciosa, algo de cristal, a que é preciso estar atento sob pena de passar ao lado imperceptível. E a noite foi-se desenrolando com o banho de mantra que logo despertou sentimentos de alegria e unidade. A coreografia da Tânia que tão bela parecia uma dançarina das mil e uma noites. O tempo deixou de interessar, o relógio servia apenas para marcar pontualidade. O Ady Ásthanga Sádhana às 4.00 h dissipou o sono e foi a base preparatória para as técnicas seguintes. A realização de que ali não há pressa, não vai haver interrupção, convida desde logo à entrega total às práticas, ter a certeza que na meditação vai chegar serenamente aquele ponto a partir do qual se abre um grande mundo, permite ir mais longe. Adorei as técnicas de bhutha shuddhi, o sentir-me invadida pelo bem-estar, pelas ondas de calor, o afecto dissipando temores, gostei de sentir um pouco de um estado que será talvez a emergência do aspecto sattwa da natureza, a reserva de amor a aumentar, vi que limpa sulcos repetidamente percorridos e que conseguimos saltar para outra frequência, à semelhança dos electrões que à volta do núcleo do átomo saltam de orbital. Aí retiramos os fardos que carregamos, ficamos mais leves e então há palavras que são ditas, conversas que são faladas, abraços que são dados que de outro modo nunca o seriam, com a sensação que o coração é maior que o tórax, o afecto vai tanto para os amigos de há alguns anos como para os recém-chegados. Obrigada Mestre por proporcionar esta magnífica vivência, por me transmitir tão sábia associação de técnicas com exposição de temas, sim as técnicas são milenares, mas o todo é seu, é a sua arte, a sua mestria.
Cristina M. Soares Pires 25.11.07
SwáSthya Yôga Sádhana V – 16, 17 e 18 de Novembro.
O SwáSthya Yôga Sádhana bem poderia ser apelidado de Evento Transformador. Nos últimos tempos tenho ponderado o pensamento de que em primeira instância tudo dependerá do potencial energético. E o que sinto, logo após a primeira actividade do Evento Transformador (daqui em diante ET), é isso mesmo: uma lufada energética que varre a névoa que me tolda o pensamento e deforma a visão. É o princípio do que poderá ser uma mudança no paradigma do ver o mundo, do fazer o mundo. Mesmo que um mês depois esteja de novo toldado, tive a feliz oportunidade de tomar consciência da realidade do poder ser diferente, melhor. Depois disso, e uma vez mais, só dependerá de mim, agarrar de novo esta vontade transbordante de ser e continuar a contagiar positivamente os que se relacionam comigo.
Este ET se por um lado poderia ter, para mim, os efeitos comprometidos pelo peso emocional do meu afastamento do grupo nos últimos tempos, por outro seria uma oportunidade de contribuir com o que fosse possível para ajudar na já de si excelente organização.
Não poderei dizer que foi o ET que mais gostei. Não encontro forma de avaliar comparativamente e ordenar por gosto ou importância momentos tão especiais e distintamente recompensadores. Mas não me inibirei de escrever que poderá ter mudado para sempre a minha vida. Só o futuro escrito por mim o poderá dizer. Mas é tão gratificante a sensação deste poder transformador, deste sentir que com o toque do nosso olhar, com o calor da nossa mão e o palpitar vibrante do nosso coração, podemos pôr um sorriso sincero no rosto daqueles com quem partilhamos isto, em que isto é um nada dizer, um tudo ser. É gratificante verificar no outro o reconhecimento deste valor acrescido que com ele repartimos, a quem damos. Nada se diz. É um olhar, um sorriso, e o que passa transforma...
Agrada-me o formato leve, mais informal, que o ET tem vindo a ter, e que sabiamente é mesclado harmoniosamente com conteúdos tão sérios e importantes capazes de mudar rumos de vida se criada a disponibilidade para os receber. É emocionante ver a forma inteira com que coreografias são apresentadas ou como um chá é servido. Ou como o toque no outro o faz ultrapassar obstáculos ou derrubar barreiras, libertando-lhe o carinho que, livre, ousa mostrar.
Como poderá retribuir-se a quem passa um ano inteiro magicando na forma de transformar desta forma, desmistificando complexidades, declamando receitas para uma vivência em poesia? O pior dos alunos limitar-se-á a agradecer emocionado.
Carlos Matoso.
21 de Novembro de 2007

